125º Pão com Manteiga – Comunicação Interna “Cocreada”, com Alejandro Formanchuk



A manhã de 15 de março começou de um jeito diferente. Enquanto havia caos na cidade de São Paulo, por conta da paralização do transporte público, o Pão com Manteiga recebia pela primeira vez um consultor internacional, Alejandro Formanchuk, Presidente da Asociación Argentina de Comunicación Interna. Mesmo com a mobilidade urbana comprometida, nos expusemos ao acaso e mantivemos o encontro, que acabou transcorrendo numa boa.

Com o tema Comunicação Interna “Cocreada , propositadamente escrito em ”portunhol”, tivemos um bate-papo com a participação de Filipa Nunes, da FH Consultoria, Carlos Carvalho, da Abracom, Rafael Santiago, da Atento, além de Amanda Lage, Marina Belei, Bete Alina e Sergio Garroncini, todos profissionais de comunicação.

Pensar em todo o universo significante de uma organização

Logo de início, Formanchuk ponderou que falta pensarmos em comunicação interna além dos meios. Na percepção dele, “comunicadores precisam estar atentos a todas as mensagens corporativas, além do espaço midiático. O salário é uma mensagem da empresa para o empregado. À medida em que essa remuneração não é compreendida, ela pode gerar insatisfação e, por consequência, desinteresse daquele profissional acerca das demais mensagens corporativas”.

Infelizmente, a área de comunicação interna não tem acesso a essa governabilidade durante o processo. Quando os problemas de comunicação são entendidos como “as mensagens não chegam”, os reduzimos a uma questão relacionada aos meios, quando na verdade, Formanchuk nos advertiu ser muito mais abrangente do que isso.

A colaboração, a compreensão e a coinfluência em ação

Para Alejandro, a comunicação interna deve falar menos e facilitar mais, no sentido de empoderar para que os outros falem. Por isso, aplica a “cocreação” com líderes e empregados, que, segundo ele, “é o empowerment (descentralização de poderes) que estrutura e pauta a boa comunicação. A comunicação corporativa transborda a área de CI”.

Há um imperativo no meio empresarial de que o líder deve se comunicar, mas se ele não participa da decisão, se não está envolvido na solução, não desenvolve a atitude disseminadora. “Comunicação é um ato de fé”, afirmou Formanchuk, e, portanto, precede de credibilidade e confiança. “Para evoluirmos, é preciso transformar a visão das empresas sobre o processo de comunicação e estabelecer regras do jogo”.

Podemos “cocrear” de várias formas e, por isso, exige muito planejamento, que começa por levantar boas perguntas: O que significa trabalhar nessa empresa? O que é uma boa comunicação? Interatividade nas redes sociais corporativas é cocriação? Qual o valor dessa interação? E continua pela área de comunicação assumindo o papel curador, na medida em que está apta a identificar os conteúdos relevantes para a estratégia do negócio.

Isso porque comunicação não é fim, é meio. Portanto, para Formanchuk, “cocrear” é decidir a mensagem junto. A cocriação está vinculada a aglutinar o conhecimento organizacional e motivar o compartilhamento deste conhecimento, por isso, deve-se dedicar tempo em equipes multidisciplinares e liderar os times, dirigindo-os para um objetivo comum.

Comunicação Interna é a cultura em movimento

A questão é que há mensagens contraditórias a todo momento, por conta de decisões equivocadas, mal estruturadas e reservadas a um pequeno centro de poder, afinal, dependendo da cultura, não compartilhar é também uma estratégia de sobrevivência. Por isso, não há como ser transparente todo o tempo, nem em todas as circunstâncias. Linhas de pensamento generalistas assim correm o risco de se tornar ingênuas e inócuas. Significa dizer que se uma empresa é fechada, não haverá espaço para cocriar e compartilhar 100% das vezes.

Artifícios como envolver o empregado para a escolha do nome do jornal interno, não se configura em cocriação para Formanchuk. Isso ele chama de falsa cocriação, por ser uma escolha que não vai influenciar em nada, qualificada como de baixo impacto.

A cocriação é transformadora, motivacional, e o comunicador deve ser o líder dessa mobilidade, capaz de fazer com que as pessoas movam suas ideias em prol da cultura, buscando um ponto de entendimento e colaboração.

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 Alejandro Formanchuk da FORMANCHUK & ASOCIADOS 

– Director de Formanchuk & Asociados  http://formanchuk.com.ar/

– Director de la Federación Iberoamericana de Comunicación Interna http://www.fideci.org/

– Presidente de la Asociación Argentina de Comunicación Interna http://www.aadeci.com.ar/

 

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